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Hantavirose: cuidados para quem vai viajar

A hantavirose é uma doença viral grave transmitida por roedores silvestres, com casos registrados em todo o Brasil. Se você vai fazer ecoturismo, acampar ou visitar áreas rurais, conhecer os riscos é parte essencial do planejamento da sua viagem.


Trilhas no cerrado, pesca no Pantanal, acampamentos na Mata Atlântica: o Brasil oferece destinos naturais de primeira linha. Mas esses ambientes também concentram riscos sanitários que o viajante precisa conhecer. Um deles é a hantavirose, uma infecção que pode evoluir rapidamente para um quadro grave — e que não tem vacina nem tratamento específico disponível.

Neste artigo, você vai encontrar o que é a hantavirose, como é transmitida, quais são os sintomas, como se prevenir em viagem e o que fazer em caso de suspeita.

Cientista da saúde realiza pesquisa para analisar a epidemia de hantavírus no laboratório.

O que é hantavirose, segundo o Ministério da Saúde

De acordo com o Ministério da Saúde, a hantavirose é uma zoonose viral aguda causada pelos hantavírus, transmitida por roedores silvestres. No Brasil, ela se manifesta como Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), que afeta pulmões e coração e pode evoluir para insuficiência respiratória grave em poucos dias.

A doença é registrada em todas as regiões do país, mas o Sul, o Sudeste e o Centro-Oeste concentram o maior número de casos. Em 2025, o Brasil registrou 35 casos e 15 óbitos — o menor número da série histórica recente, segundo dados do próprio Ministério. Ainda assim, a taxa de letalidade segue alta, o que exige atenção de qualquer viajante que se desloque para áreas rurais ou silvestres.

Como a hantavirose é transmitida: o que o viajante precisa saber

A transmissão da hantavirose ocorre principalmente pela inalação de aerossóis contaminados com urina, fezes ou saliva de roedores silvestres infectados. O risco é maior em ambientes fechados — cabanas, galpões, depósitos, ranchos — onde a poeira levantada durante uma limpeza pode conter partículas virais.

No Brasil, a hantavirose não se transmite de pessoa para pessoa. Isso a diferencia da variante Andes, presente na Argentina e no Chile. Portanto, não há risco de contágio por contato com um paciente infectado.

Para o viajante, as situações de maior risco são: abrir ou limpar locais fechados há muito tempo, acampar próximo a áreas com presença de roedores e manusear alimentos ou materiais armazenados em ambientes rurais sem proteção.

Sintomas da hantavirose que você precisa reconhecer em viagem

Os sintomas da hantavirose surgem entre 1 e 6 semanas após a exposição. A doença evolui em duas fases:

Fase inicial (primeiros dias)

Febre súbita, dores musculares e articulares intensas, cefaleia e dor abdominal. Os sintomas se assemelham a uma gripe, o que pode atrasar o diagnóstico.

Fase cardiopulmonar (a partir do 4.º ou 5.º dia)

Tosse seca, falta de ar, taquicardia e queda de pressão. Em casos graves, evolui para edema pulmonar e insuficiência respiratória. Nessa fase, a internação em UTI é urgente.

Se você apresentar febre ou sintomas respiratórios em até 60 dias após visitar uma área rural de risco, procure um pronto-socorro imediatamente e informe o médico sobre sua história de viagem. O diagnóstico precoce é o principal fator que reduz a mortalidade.

Viajante utilizando equipamentos de proteção durante a limpeza de um abrigo rural, seguindo medidas de prevenção contra a hantavirose.

Como se prevenir: checklist de segurança para viajantes

Não existe vacina contra o hantavírus no Brasil. A prevenção depende exclusivamente de evitar o contato com roedores silvestres e ambientes contaminados. Confira os cuidados essenciais antes e durante a sua viagem:

  • Verifique abrigos e cabanas antes de usar: ventile por pelo menos 30 minutos e limpe o chão úmido com água e desinfetante. Nunca varra a seco.
  • Monte acampamento longe de sinais de roedores: evite proximidade com lixo, montes de entulho ou pilhas de madeira.
  • Guarde alimentos em recipientes fechados: nunca deixe comida exposta em áreas rurais ou de camping.
  • Use EPI em atividades de risco: máscara, luvas e óculos ao limpar galpões, silos ou espaços fechados.
  • Lave as mãos com frequência: especialmente antes de comer e após contato com materiais do ambiente.
  • Não manuseie roedores: vivos ou mortos, sem proteção adequada.

Essas recomendações são baseadas no Manual de Vigilância, Prevenção e Controle das Hantaviroses do Ministério da Saúde. Como os protocolos de saúde pública podem ser atualizados, recomendamos verificar as orientações mais recentes na página oficial do Ministério da Saúde antes de viajar.

O que fazer se suspeitar de hantavirose durante uma viagem

Se você apresentar febre, dores musculares intensas e dificuldade para respirar após visitar uma área rural ou silvestre, vá ao pronto-socorro mais próximo sem demora. A doença não tem tratamento específico — o que salva vidas é o suporte intensivo precoce.

Informe o médico sobre toda a sua trajetória de viagem: onde esteve, que tipo de ambiente frequentou e se teve contato com galpões, cabanas ou áreas com presença de roedores. Essa informação é decisiva para o diagnóstico, já que os primeiros sintomas se confundem com os de uma gripe.

Vale saber: a hantavirose é uma doença de notificação compulsória imediata no Brasil. Qualquer caso suspeito deve ser reportado às autoridades sanitárias em até 24 horas.

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